Arquivo mensal: novembro 2009

Next logical step

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Ontem fomos fazer umas compras e eu trouxe framboesas frescas, que ela nunca havia provado. Depois do jantar, perguntei se ela queria experimentar uma frutinha que parecia um morango filhotinho.
Cento e oitenta gramas de framboesa depois, ela olha para o pote e vê as três últimas:
“Dou-lhe uma… Dou-lhe duas… Nham! Vamos para o Santa Luzia!”

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Virundum

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– “Filha, vem aqui na janela, olha que toró!”
– [triunfante] “… beber água e não achei, achei Bia Lolena que no tololó deixei!”

[Bia é uma das tias, Lorena é a amiguinha do “pédio”.]

Testemunho de tia

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A tia Bebel ficou brincando de massinha com a Catarina ontem, enquanto eu preparava o jantar. Hoje cedo, encontrei o seguinte diálogo na minha caixa postal:
“Então, né, eu estava brincando de massinha com Ina quando ela anunciou:
– Vou fazer envelopes!
Sendo que envelopes de massinha, né. Eu achei engraçado.
– Envelopes, Ina? Você vai escrever uma carta?
– Vai.
– Pra quem você vai mandar a carta?
– (rasga a massa em pedacinhos)
– Vai mandar carta pro vovô e pra vovó?
– Não, só pá Iene.
– Ah, é?! Só pra Irene? E o que você vai escrever pra ela?
– Que a Ina tá fazendo um ábia copas*.”

*N. da T.: Habeas Corpus. Que ela sempre diz que o pai vai fazer no escritório, quando ele sai de manhã.

Crèpes Suzette

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Hoje ela levou para a escola o livro Pancakes! Pancakes! que a tia Bebel deu.
Na volta, desarrumando a mochila, ouço a conversa na cozinha:
“Aí, Nana, hoje a Ina vai molar em Palis!”
Eu volto e pergunto:
“Em Paris, filha? Quando?”
– “Hoje, mamãe. Quando eu molar em Palis eu vou comer uma panqueca e aí eu vou molar em Palis!”

Definitivamente, cismou.

Cenas de um jantar

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Há uma semana a greve de fome voltou com força total. Não aceita nada, passa o dia inteiro a pouco leite e suco e, com sorte, no fim do dia, vai meia xícara de macarrão na manteira.
Nada pode ter molho (“A Ina quer enxugar!”), nada pode vir misturado (“Pulinho! A Ina quer pulinho, mamãããe!”), batata que não seja frita é nojo, pastel é eca, feijão é uma ofensa, tudo está quente demais, “madulo” demais… Um desespero.
Comecei a apelar para o mamãe vai ficar triste, você vai ficar fraquinha e doente e hoje até um papai noel entrou na dança.

*

– “Filha, come só essa colherada, vai. Assim você vai ficar fraquinha, não vai conseguir brincar…”
– “Não, a Ina não quer. A Ina vai ficar de cótas.”
– “Ficar de costas é falta de educação. Anda, filha, você quer ficar doente?”
– “Quelo. A Ina quer se ma-chu-car!”

*

– “Ai, mamããããe, aaaaai, mamããããe, essa colher dóóói!”
– “Colher não dói, Catarina.”
– “Dóóóóói!!”
– “Aonde?”
– “Aqui, na barriguinha. Aaaaai, mamãããe, troca a fralda, tá doendo!”
– “A fralda está limpa, Catarina, vamos comer.”
– “O pum virou cocô.”

*

– “O Dingobéu parou de cantar, cê viu? Ele tá triste porque você não quer comer. Ele vai ficar calado, vai chorar, até você papar tudo.”
– “Acabou a pilha. Compa ôto.”

*

Agarra o tubo da pasta de dentes, enfia o dedinho e começa a lamber:
“A Ina não quis comeeer… A Ina vai ficar faquiiiinha… Então pode comer a pasta pra ficar beeem forte!”