Arquivo mensal: julho 2009

Avaliação infantil da privação de sono de longo prazo

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Hora de ninar de novo.
Eu, malabarista de mamadeira, duas chupetas, a caixa das chupetas, para ela brincar de guardar e tilar, e da própria madame, piso em falso enquanto sentamos na cadeira de balanço:
– “Tá bêbada!”.

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Ain’t no foolin’, ain’t no fakin’

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A Catarina caiu de amores pela Abby Cadabby, personagem da Vila Sésamo que aparece nesse programa que passa cedíssimo, 7:30, no Discovery Kids. Ela fala o nome direitinho, mas às vezes a Abby vira Quibebe também.
Esses dias ela acordou mais tarde e pegou só o finalzinho. Quando viu os créditos subindo, começou:
– “Nããão, Abby! Vem, vem!”
– “Acabou, filha, agora só amanhã…”
– “Nããão… [cara de capeta] Ador!”

“Ador” de computador, ladies and gentlemen.

Para bellum

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A hora de dormir é a minha preferida do dia. Estamos só nós duas, ela no colo, então não tem distração nem desculpa para a atenção não estar focada no momento. Brincamos muito durante o ninar, e anteontem não foi diferente. Ou não totalmente.
Eu estava com uma bata de malha larga e do nada ela a pôs sobre a cabeça. Lembrando de uma brincadeira que eu amava quando era pequena, comecei a cantarolar: “cabaninha! cabaninha!”. Pronto, uma perfeita receita para espantar o sono.
Depois de 150 cabaninhas, ela descobriu que dava para pôr a minha cabeça junto, pela gola, e aí foram mais 150 repetições e gargalhadas. Eu, gripada, comecei a ficar sem fôlego e disse:
– “Agora já chega, né, filha? A mamãe tá cansada.”
– “Ih, tá vééééia, hahahaha!”

*

Sim, são só 19 meses de idade.

Flor de empatia

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Passeando comigo e com a Lúcia pela quadra, nos aproximamos da rua e eu peço a mão, porque rua tem carro e carro é peígo e faz gogói*.
Ela estende a mão para mim, a Lúcia também pede e ela responde “não!”. Depois, sem que ninguém tenha dito nada, olha, estende a mão e diz: “tadiiiinha…”.

* Eu costumo corrigir os erros dela, mas o dodói com “g” é tão fofo que virou tradição familiar.